terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Tradução no aprendizado de uma segunda língua
[by Ricardo Leal]
A utilização correta da tradução para a aquisição de uma segunda língua com certeza acelera o aprendizado da mesma.
E o que seria uma “utilização correta de tradução”?
Não devemos nunca traduzir textos (falados ou escritos) palavra por palavra. O que precisamos compreender é que uma língua é formada de itens lexicais (Saiba mais no blog do Denilso de Lima), então a solução é aprender a traduzir item lexical por item lexical. O termo ideal então para esse tipo de tradução seria encontrar a “equivalência” das línguas.
É inevitável fazermos sempre uma relação com a nossa primeira língua. Mesmo as pessoas que aprenderam Inglês, e hoje são fluentes, sempre que encontram alguma expressão, ou palavra que não conhecem em Inglês, lembram primeiro a expressão ou palavra em Português, e tentam achar uma equivalência em Inglês. Muitas vezes criando um Inglês “aportuguesado” por não conhecer a equivalência exata.
Por exemplo, imagine que você queira dizer a frase abaixo em Inglês:
Eu normalmente como pão com manteiga no café da manhã.
Como seria a “equivalência” em Inglês mais provável?
Michael Lewis, em seu livro “Implementing the Lexical Approach”, escreveu:
“It is worth a brief digression to see quite why translation has had such a bad name for the last 30 years. Two powerful forces have worked against it. Much of the innovation during that period in both materials and methods has come from Britain and the United States. Native speaker teachers and materials perceived as linguistically reliable have had high status, and have been supported by powerful financial interests. The publishers prefer global to country-specific textbooks; native speaker teachers often work in polyglot private schools with multi-lingual classes where translation would be impractical or impossible even if it were desirable. These powerful factors mean translation had to be condemned – but for commercial rather than pedagogical reasons. It is a surprise that so many non-native teachers have been persuaded so easily to undervalue their own abilities, and discard a classroom technique of great potential value.”
A meu ver, muito bem dito. Michael Lewis só não mencionou também que os materiais todos em Inglês, e métodos que condenam qualquer forma de tradução, possibilitam as duas "powerful forces" exportarem professores nativos para qualquer lugar do mundo, sem a necessidade de saberem ou aprenderem a língua desses locais.
Concluindo, o aluno deve com certeza ficar o máximo do tempo exposto a língua a ser adquirida, mas deve também a aprender a encontrar esses itens lexicais nessa língua e sua equivalência em Português.
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